Foi pensando em ti que resolvi me esquecer.
Foi te vendo que resolvi esquecer de pensar.
Foi sorrindo pra ti que esqueci de pensar em não te ver.
Foi te vendo sorrindo, ao pensar, que eu aprendi a sorrir, sem pensar, só em te ver.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Antecessórios II
[25/05/2007]
Sentimentalismo piegas, em um dia qualquer.
*
Pense o que você tem mesmo que pensar, ache o que você tem mesmo de achar, acredite no que você tem mesmo de acreditar, mas o mais importante: diga o que você tem mesmo de dizer. Palavras da boca para fora não são, necessariamente, palavras ao vento. Fale! Sem dó. Não pense que calar é o melhor remédio. É o pior veneno: vai corroendo-o por dentro, como se as palavras retidas fossem litros e litros do pior ácido corrosivo. Não esconda nem meça palavras. Fale! Sem dó. Mesmo que um dia você não chegue a Roma, fale. Não deixe que o máximo que o ácido corrosivo o deixe produzir seja esse mísero desabafo, de quem um dia sofreu por calar, de quem ainda chora por, um dia, não ter dito.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Verbaçada
Numa dessas outras vidas aí da vida, fui Doutor, de residência e tudo. Ginecologista. De respeito. Daqueles que andam com currículos recheados no bolso, prontos a sacá-los, como armas em pê-emes, a fim de provar que são menos ninguéns que outrens quaisquer.
Certa vez, aparece-me uma senhora mal-vestida. Mas mui-trajada. Grávida, por sinal. Mas é que a barriga parecia ser o acessório da montanha de roupas que ela punha.
*
Lancei-me logo às perguntas:
EU. Consulta de rotina, madame? Algum problema na gestação? Problemas extra-barriga?
Costumava sempre fazer essa última pergunta. As clientes pareciam tratar-me como psicólogo: Doutor, de respeito, que era. Eram, na maioria, dúvidas extra-barriga. Não podia desprezá-las. Afinal, o respeito fazia minha fama.
SENHORA. Tudo na paz, Doutor. Graças a Deus.
EU. A que devo a consulta, então?
SENHORA. Doutor, é que mal posso esperar o gran momento. Essa ansiosidade me mata. Já dá pra saber quando paro?
EU. Perdão... Pára o quê?
SENHORA. Quando paro?
EU. Pára o quê?
SENHORA. Ué?! A criança, Doutor. O que mais poderia ser?
EU. Ah, quando você pare?
SENHORA. Paro o quê, Doutor?
EU. Quando parirá! A criança!
SENHORA. Como assim, criança, parar? O que o senhor quer dizer com isso? Tem algo errado com meu bebê? Se for, fale logo, Doutor. Tenho o direito de saber.
EU. Perdão, senhora. Quis dizer...
SENHORA. Shh. Silêncio, Doutor. Não consigo ouvir a criança.
SENHORA, esperneando. Ela parará? Não me diga isso?!
No momento, minha assistente, que não era dessas diplomadas, mas que cortava umbilicais como ninguém, ouve a senhora gritando e corre para socorrê-la.
ASSISTENTE. Pararáááááá! Chega! É hora! É hora!
Um remelexo na sala. As sub-assistentes ouvindo o avante da comandante, partiriam para a guerra. Mas estranharam a minha calma.
ASSISTENTE. Doutor, a criança! Não ouviu a senhora gritar dizendo que parará? Chega, Doutor! É hora!
No clímax das falsas contrações, implorei calma e gastei preciosos minutos para explicar todo o incidente verbal.
Parir: eu pairo; você pare; que você paira; ela parirá.
Parar: eu paro; você pára; que você pare; ela parará.
Costumava sempre fazer essa última pergunta. As clientes pareciam tratar-me como psicólogo: Doutor, de respeito, que era. Eram, na maioria, dúvidas extra-barriga. Não podia desprezá-las. Afinal, o respeito fazia minha fama.
SENHORA. Tudo na paz, Doutor. Graças a Deus.
EU. A que devo a consulta, então?
SENHORA. Doutor, é que mal posso esperar o gran momento. Essa ansiosidade me mata. Já dá pra saber quando paro?
EU. Perdão... Pára o quê?
SENHORA. Quando paro?
EU. Pára o quê?
SENHORA. Ué?! A criança, Doutor. O que mais poderia ser?
EU. Ah, quando você pare?
SENHORA. Paro o quê, Doutor?
EU. Quando parirá! A criança!
SENHORA. Como assim, criança, parar? O que o senhor quer dizer com isso? Tem algo errado com meu bebê? Se for, fale logo, Doutor. Tenho o direito de saber.
EU. Perdão, senhora. Quis dizer...
SENHORA. Shh. Silêncio, Doutor. Não consigo ouvir a criança.
SENHORA, esperneando. Ela parará? Não me diga isso?!
No momento, minha assistente, que não era dessas diplomadas, mas que cortava umbilicais como ninguém, ouve a senhora gritando e corre para socorrê-la.
ASSISTENTE. Pararáááááá! Chega! É hora! É hora!
Um remelexo na sala. As sub-assistentes ouvindo o avante da comandante, partiriam para a guerra. Mas estranharam a minha calma.
ASSISTENTE. Doutor, a criança! Não ouviu a senhora gritar dizendo que parará? Chega, Doutor! É hora!
No clímax das falsas contrações, implorei calma e gastei preciosos minutos para explicar todo o incidente verbal.
Parir: eu pairo; você pare; que você paira; ela parirá.
Parar: eu paro; você pára; que você pare; ela parará.
*
Em setembro daquele ano, enfim, a mulher pare. Mas ela não parou por aí. Continuou parindo. Ao longo de 3 anos, foi aquele primeiro e mais três. O útero da senhora dava um breve intervalo de 10 dias pra fingir que desinchava e lá desciam outros óvulos, recém-fecundados. O trenzinho da alegria seguia fumaçante. Pronto a atropelar quaisquer confusões verbais, a destroçar esse vai-e-vem de conjugações, a pôr água a baixo essa verbaçada. No fim, não importavam os verbos, a que eu, como Doutor de respeito que era, tinha me dedicado bastante.
Ao cabo de mais alguns meses, resolvi abandonar o ofício. Fui fazer carreira na política. Acho que tinha entendido o verdadeiro significado da palavra democracia.
Ao cabo de mais alguns meses, resolvi abandonar o ofício. Fui fazer carreira na política. Acho que tinha entendido o verdadeiro significado da palavra democracia.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Mi(l) poesias
Minha ardorosa busca por idéias perece em minha angústia.
A vontade suplantada pela estupidez. Pelas ganas do querer.
É como se tivesse mil poemas prontos. Mas o gargalo de minha mente não me deixasse tê-los todos: não me deixa tê-lo nenhum.
Busco letras só minhas. Mas minhas só as letras de meus papéis rasgados. Idéias minhas que insistiram em não florescer. Sementes promissoras de futilidades que nem se deram ao luxo.
Foram-se ao lixo.
Busco tão-só a minha compreensão.
Busco tão-só as palavras de minha tradução.
Busco. Tão só.
*Addendum a minha angústia:
Nesse meu egoísmo heróico, nessa minha luta em vão, vão-se meus papéis e minhas forças.
E, em minha mente, os galhos de meu mistério ainda a suportar meus quase-poemas-ainda-não-prontos...
A vontade suplantada pela estupidez. Pelas ganas do querer.
É como se tivesse mil poemas prontos. Mas o gargalo de minha mente não me deixasse tê-los todos: não me deixa tê-lo nenhum.
Busco letras só minhas. Mas minhas só as letras de meus papéis rasgados. Idéias minhas que insistiram em não florescer. Sementes promissoras de futilidades que nem se deram ao luxo.
Foram-se ao lixo.
Busco tão-só a minha compreensão.
Busco tão-só as palavras de minha tradução.
Busco. Tão só.
*Addendum a minha angústia:
Nesse meu egoísmo heróico, nessa minha luta em vão, vão-se meus papéis e minhas forças.
E, em minha mente, os galhos de meu mistério ainda a suportar meus quase-poemas-ainda-não-prontos...
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
infidelidade
raios de incerteza a trovejar em meus neurônios. a força da não-força me atinge em cheio. em minha mente, faltam idéias. sobram divagações. neuro-conexões que quase não mais se tocam. o interligar-se natural obstruído. obstruído pela força da não-força. por aquilo que a nada me move. por aquilo que não me move.
incompreensível, o depositório de idéias a me esperar.
aqui é mesmo o meu lugar?
só sei que nada sei, o sábio a se ignorar.
mas e eu? nada a declarar.
não sou fiel ao que digo ou falo.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Introdutórios
Bloggar foi sempre um pensamento que me conveio. Mostrar aos outros (o) que penso, para mim, é - e foi - sempre de bom alvitre. Faltava a iniciativa. Faltava. Até que, nesse vai-e-vem de perfis de orkut da vida, deparei-me com o profile de uma garota que tinha um blog. Trilhando a contramaré daquilo a que posso chamar de minha vasta experência virtual no mundo dos pcs, descobri - só hoje - que poderia concretizar a idéia de expor meus pensamentos nesse tal de blog. Bloggo a partir de hoje, então. É isso.
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